Existe uma ordem que quase todo projeto de IA inverte. Escolhe-se o modelo primeiro, monta-se a demonstração, e só na hora de colocar em produção alguém pergunta de onde vem o dado.
A demonstração funciona porque roda em cima de exemplo. A produção falha porque roda em cima da realidade da empresa, que costuma ser: um sistema de gestão fechado, uma planilha que alguém mantém à mão, um CRM preenchido pela metade e um WhatsApp com o histórico dentro de um celular.
O que a IA precisa saber para ser útil
Uma IA de atendimento boa responde coisas específicas: se tem vaga na turma das 19h, qual o valor do plano trimestral nesta unidade, se aquela pessoa já é cliente, quando foi a última compra dela.
Nada disso vem do modelo. Vem do seu sistema. Se o acesso a esse dado não existe, a IA só consegue ser simpática e genérica, que é exatamente o que o cliente odeia.
A ordem que funciona
Primeiro, o inventário. Onde mora cada informação, quem é dono, com que frequência muda e se existe uma forma de ler isso por API.
Segundo, o acesso. Chave, permissão, limite de requisição e o que fazer quando a fonte estiver fora do ar. Sistema legado cai, e a IA precisa se comportar bem quando isso acontece, respondendo que vai confirmar em vez de inventar.
Terceiro, a confiança no dado. Se o cadastro tem três registros da mesma pessoa, a IA vai errar com convicção. Higienizar base é trabalho chato, e é o que separa uma automação que ajuda de uma que constrange.
Só então, o modelo. Com contexto disponível, até um modelo mediano entrega bem. Sem contexto, o melhor modelo do mundo vira um gerador de frases educadas.
Um sinal claro de projeto mal encaminhado
Se na primeira reunião a conversa inteira foi sobre qual modelo usar e nenhuma pergunta foi feita sobre onde estão os dados, o projeto vai travar. Não na semana um, quando tudo parece lindo. Na semana quatro, quando alguém pedir para a IA consultar o cadastro.
Cleiton Sampaio
Fundador da Alva IA Tech
Constrói sistemas de IA conversacional, automação e dados para operações que vivem de mensagem. Escreve sobre o que dá certo e sobre o que quebrou no caminho.